"São acontecimentos graves que não podemos banalizar" — Marcelo

Quinta-feira, 17 Mai, 2018

"Acontecimentos graves que não podemos normalizar".

Em declarações aos jornalistas à margem de uma conferência comemorativa do Dia Nacional dos Cientistas, Marcelo Rebelo de Sousa disse sentir-se "vexado" com os incidentes de terça-feira com futebolistas e treinadores do Sporting e assumiu ser este o momento de travar a escalada de violência no desporto.

O presidente leonino acusa o chefe de Estado de "não ter sido taxativo" a confirmar a presença no estádio do Jamor, para a final da Taça de Portugal, uma manobra que disse lamentar e lhe permite apenas fazer "duas leituras". São más para o desporto português e para a sociedade.

"Este tipo de factos, potencialmentre criminosos, nomeadamente esta atuação coletiva, não é uma atividade isolada, tem um contexto que conhecemos bem - o aumento da violência no futebol profissional", referiu ainda. Em segundo, que Marcelo Rebelo de Sousa está "disponível para aceitar que um grupo de marginais ponha em causa a realização de um evento relevante e que se ache no direito de acreditar que influencia as suas decisões".

"Temos de ter a noção de que é fundamental para o próprio futebol, para o próprio desporto e para a própria sociedade portuguesa que se perceba que o clima criado ao longo dos tempos, que foi debatido no parlamento, foi objeto de chamadas de atenção do Governo e de responsáveis de toda a ordem, não pode nem deve continuar".

Daí que Marcelo refira que "há leis, uma Constituição, um clima de serenidade" que ver cumpridos e criado.

Na quarta-feira, o Presidente da República disse sentir-se "vexado" com os incidentes e questionado sobre se vai no domingo à final da Taça de Portugal, no Jamor, Marcelo respondeu apenas: "para já não quero dizer mais nada".

Na linha de pensamento, o Presidente da República sustenta que não quer ver ninguém 'assobiar para o lado'.

O Presidente alertou para a possibilidade de uma "escalada" que vai "destruir o desporto português", desprestigiando-o dentro e fora do país. "Se não é travada agora, quando tiver de ser travada mais adiante é por meios muito mais drásticos e penosos e todos quereríamos evitar isto".

"Escalada do problema pode destruir o futebol".

Esta terça-feira, 15 de maio, cerca de 50 indivíduos de cara tapada, alegadamente adeptos 'leoninos', invadiram a Academia e, depois de terem percorrido os relvados, chegaram ao balneário da equipa principal, agredindo vários jogadores, entre os quais Bas Dost, Acuña, Rui Patrício, William Carvalho, Battaglia e Misic, assim como o treinador Jorge Jesus e outros membros da equipa técnica.