PF entrega laudo sobre sítio

Quinta-feira, 17 Mai, 2018

O documento da PF confirma a versão da delação premiada do engenheiro Emyr Costa Júnior. De acordo com a polícia, os dados são íntegros e autênticos. O magistrado queria saber, entre outras questões, se havia no sistema de contabilidade da Odebrecht "documentos ou lançamentos que possam estar relacionados com o objeto da presente ação penal, reforma do Sítio em Atibaia pelo Grupo Odebrecht em benefício do acusado Luiz Inácio Lula da Silva".

De acordo com a UOL, a Odebrecht afirmou em nota que está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua.

A perícia da PF que relaciona os valores desviados da Petrobras ao caixa geral de propinas da Odebrecht que, dizem os delatores, custeou as obras no Sítio Santa Bárbara, vem à tona três semanas depois de a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tirar do juiz federal Sergio Moro as delações premiadas de executivos da empreiteira que citavam as supostas propinas pagas a Lula por meio das reformas na propriedade.

Além do depoimento, Costa Júnior entregou em novembro de 2017 ao juiz Sérgio Moro uma planilha constando o valor.

De acordo com o laudo, foram identificados dois pagamentos de R$ 300 mil e R$ 400 mil que totalizam os R$ 700 mil usados em Atibaia.

"Ao contrário foi que foi divulgado por alguns veículos de comunicação, o laudo apresentado na data de hoje (16/05) pela Polícia Federal nos autos da Ação Penal nº 5021365-32.2017.4.04.7000/PR não estabeleceu qualquer vínculo entre uma planilha apresentada por ex-executivo da Odebrecht e o sítio de Atibaia (Sítio Santa Bárbara) frequentado pela família do ex-presidente Lula, de propriedade da família Bittar". O engenheiro informou que o valor foi pago com recursos do centro de custo da obra Aquapolo, realizada pela Odebrecht no interior de São Paulo. "A principal conclusão obtida, por meio da análise científica dos dados, é que o caso tem ligação com a Petrobras", afirmou Marcos Camargo, presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF).

Busca-se com isso, uma vez mais, contornar os critérios legais de competência por meras referências, sem qualquer base concreta, a valores provenientes da Petrobras, exatamente como fez a denúncia. A defesa do ex-presidente Lula nega que ele tenha recebido benefícios ou vantagens indevidas. Os advogados também disseram que a "a acusação se reportou a 7 contratos específicos da Petrobras, nenhum deles analisado pelo laudo pericial".