Operação da PF contra traficantes e doleiros cumpre mandados em MS

Quinta-feira, 17 Mai, 2018

"Quanto ao operador financeiro ("doleiro") já investigado da Operação Lava Jato, chama atenção o fato de ter retornando às suas atividades ilegais mesmo tendo firmado acordo de colaboração premiada com a Procuradoria Geral da República e posteriormente homologado pelo Supremo Tribunal Federal".

Dois doleiros tinham atuação "concreta e direta" com o grupo criminoso.

Segundo outro delegado da PF que participou da operação, Roberto Biasoli, as pessoas presas nesta terça-feira formam o "núcleo principal" da organização ligada ao Cabeça Branca. "O dinheiro sujo não tem origem nem dono, usa-se para fazer o que precisa ser feito no mundo do crime", afirmou Biasoli.

A operação desta manhã é um desdobramento da Operação Spectrum, que prendeu Cabeça Branca em julho de 2017.

Ceará já delatou a entrega de dinheiro o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). As investigações demonstram robustos indícios acerca do modus operandi da organização criminosa, consistente na convergência de interesses das atividades ilícitas dos "clientes dos doleiros" investigados. Ceará voltou a delinquir, segundo a PF, e foi preso nesta terça-feira durante a deflagração da Operação "Efeito Dominó", que desarticulou esquema que pode ter movimentado R$ 100 milhões de 2014 a 2017 e envolveu ao menos 200 laranjas. De um lado, havia a necessidade de disponibilidade de grande volume de reais em espécie para o pagamento de propinas, segundo a PF. Todas essas operações são realizadas sem a devida comunicação às autoridades bancárias e fiscais dos países envolvidos. Ele foi preso em Sorriso (MT) e transferido para o presídio de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Rocha era considerado um dos "barões das drogas" no Brasil ainda em liberdade, com condenações proferidas pela Justiça Federal que somam mais de 50 anos de prisão.

Esta foi a primeira condenação de Cabeça Branca desde que foi preso.

Segundo informações da Polícia Federal, os dois emprestavam os nomes para 'Cabeça Branca' comprar propriedades, como fazendas de gado e de soja. Depois de descarregada dos aviões do narcotráfico, a cocaína era colocada em caminhões e carretas com fundos falsos, especialmente preparados para o transporte da droga, cujo destino era o interior do estado de São Paulo, para distribuição a facções criminosas de São Paulo e do Rio, ou o porto de Santos (SP), de onde era exportada para a Europa ou os Estados Unidos.

Em vez de um perfil violento comum a traficantes que atuam na região da fronteira entre o Brasil e o Paraguai, Cabeça Branca era conhecido pelo perfil discreto com que conduzia seus negócios.