Furo no Algarve tem luz verde ambiental

Quinta-feira, 17 Mai, 2018

A decisão daquela Agência, de isentar a prospeção de petróleo de Avaliação de Impacte Ambiental, "contrariando recomendações da Assembleia da República e a opinião unânime das associações e organizações não governamentais de defesa do Ambiente", revela, segundo os socialistas algarvios, que "este organismo tornou-se inútil, se não mesmo um obstáculo, para a construção das opções políticas de defesa e valorização do Ambiente em Portugal".

O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Nuno Lacasta, justificou a decisão de não realizar o estudo de impacto ambiental referindo que "não foram identificados impactos negativos significativos" na realização do furo de prospeção petrolífera.

Entretanto, o navio-sonda (Saipem 12000) terá de ser mobilizado para o local da sondagem e, só depois, começa a perfuração do furo com uma profundidade de 1.070 metros (nível médio da água do mar), com uma duração de aproximadamente 43 dias.

"Continuamos a precisar de petróleo para vários fins durante algum tempo", sustentou, sublinhando que o Governo "acompanha a decisão da APA" e "as 50 medidas impostas" em termos de "segurança e limitação de risco ambiental".

O consórcio Eni/Galp pode fazer o furo de prospeção de petróleo ao largo de Aljezur a partir de 15 de setembro.

ASSOCIAÇÃO AMBIENTALISTA CRITICA PROSPECÇÃO EM ALJEZUR

O presidente da associação ambientalista portuguesa Zero, Francisco Ferreira, afirma que a aprovação de prospecção de petróleo na costa vicentina projecta uma ideia contrária àquilo que tem sido a imagem de marca de Portugal no estrangeiro, "um dos países mais ambiciosos no que respeita à eficiência energética, às renováveis, a bater recordes nessa matéria e a receber elogios internacionais".

Nas palavras de Nuno Lacasta "o projeto não é suscetível de provocar impactos negativos significativos", embora não se possa garantir que não ocorram acidentes ainda que a probabilidade seja "baixa". A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) dispensou o projeto de avaliação do impacte ambiental pelo que estão reunidas todas as condições para a pesquisa.

Os cenários serão conhecidos em outubro, precisou.

"A eventual descoberta de hidrocarbonetos exigirá estudos adicionais e a elaboração de planos de desenvolvimento ou produção, bem como de estudos e avaliações ambientais adicionais", acrescenta.