Brasil vai pedir registros da CIA sobre regime militar

Quinta-feira, 17 Mai, 2018

O Instituto Vladimir Herzog enviou uma carta na 6ª feira (11.mai.2018) ao Itamaraty pedindo que o governo federal solicitasse à CIA todos os documentos sobre a ditadura militar no Brasil.

O Ministério de Relações Exteriores do Brasil promete pedir ao governo dos Estados Unidos o acesso a mais documentos produzidos pela Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) a respeito da ditadura militar (1964-1985) no país.

A informação da assessoria do Itamaraty é que a embaixada brasileira em Washington já recebeu do ministro Aloysio Nunes as instruções pra pedir a liberação completa dos registros sobre o período da Ditadura Militar.

Algumas das vítimas são o jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 25 de outubro de 1975 após se apresentar ao Centro de Operações de Defesa Interna, órgão militar da ditadura; e o metalúrgico Manoel Fiel Filho, que foi torturado até a morte, em 17 de janeiro de 1976, no Destacamento de Operações de Informações (DOI) do II Exército, em São Paulo.

Esse documento foi assinado pela CIA em 1974, mas a revelação publica só veio na última quarta-feira (9).

O documento, liberado agora pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, ainda afirma que Geisel teria orientado o então chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações) que viria a substituí-lo na Presidência, João Baptista Figueiredo, a autorizar pessoalmente os assassinatos.

O general Milton Tavares, segundo o documento, disse que o Brasil não poderia ignorar a “ameaça terrorista e subversiva”, que os métodos “extra-legais deveriam continuar a ser empregados contra subversivos perigosos” e que, no ano anterior, 1973, 104 pessoas “nesta categoria” tinham sido sumariamente executadas pelo Centro de Inteligência do Exército”.

O informe relata ainda que após ser informado, Geisel manteve a autorização para execuções sumárias, adotada durante o governo do presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). "Figueiredo, inclusive, sucedeu Geisel na presidência em 1979". Além disso, pode haver mortes e desaparecimentos durante esse período da ditadura que não foram registrados.

Na carta, Ivo destacou a descoberta de "novos fatos" sobre o envolvimento do Estado na "morte e tortura de seus opositores", durante a gestão de Geisel.

O senhor, assim como a nossa família, sabe o que foi o terror e a violência promovida pela ditadura brasileira. "Uma nação precisa conhecer sua história oficialmente para ter políticas públicas que previnam que os erros do passado se repitam", diz Ivo Herzog a Aloysio Nunes na carta.