PF prende oito em operação contra lavagem de dinheiro do tráfico

Quarta-feira, 16 Mai, 2018

Em seu despacho, o magistrado soltou Ceará da prisão preventiva, colocando-o em liberdade com medidas restritivas, tais como retenção do passaporte, proibição de contato com Alberto Youssef, ter de avisar ao juízo em caso de mudança de endereço etc.

A polícia suspeita ainda que a compra de fazendas era apenas uma das formas encontradas por Cabeça Branca para lavar o dinheiro que ele ganhava com a venda de cocaína.

Em vez de um perfil violento comum a traficantes que atuam na região da fronteira entre o Brasil e o Paraguai, Cabeça Branca era conhecido pelo perfil discreto com que conduzia seus negócios.

As investigações mostraram "robustos indícios" da convergência de interesses, pois por um lado "havia uma necessidade de grandes volumes de reais para o pagamento de subornos" e, por outro lado, traficantes que "tinham recursos disponíveis em moeda nacional e precisavam de dólares para pagar os fornecedores" da droga.

Cerca de 90 policiais federais participaram da operação, cumprindo 26 ordens judiciais, sendo 18 mandados de busca e apreensão, cinco mandados de prisão preventiva e três mandados de prisão temporária nos estados do Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e São Paulo.

A denominação desta operação faz referência ao fato de existir uma espécie de efeito cascata dentro do tráfico internacional de entorpecentes, pois se trata de um crime que mobiliza diversas frentes para movimentar recursos financeiros em espécies no país a partir da intervenção de operadores financeiros, mais conhecidos como 'doleiros'.

Biasoli relatou que foram apreendidos documentos, uma arma de calibre restrito e dinheiro.

A operação desta terça-feira foi deflagrada e centralizada em Curitiba, mas as investigações foram conduzidas pelo Gise (Grupo de Investigações Sensíveis) da PF em Londrina.

Em 2014, Ceará disse, em depoimento, que foi a Maceió e levou R$ 300 mil para o ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PTB-AL) em pacotes de notas de R$ 100. O depoimento foi homologado em 2015.

O delator também mencionou, em depoimento, que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) recebeu R$ 300 mil a mando de Youssef.

A assessoria do deputado Randolfe Rodrigues reforçou que o processo contra ele foi arquivado pelo STF ainda em 2016.

Ao menos oito pessoas foram presas, entre elas o doleiro da Lava Jato Carlos Alexandre, conhecido como Ceará, que já havia feito acordo de delação premiada, o qual pode ser revisto agora. "Em despacho de seis páginas, datado de 9 de dezembro de 2015, o ministro Zavascki desqualificou a denúncia do delator por "ausência de elementos", atendendo ao pedido de arquivamento formulado em 12 de novembro pela procuradora-geral da República em exercício, Ela Wiecko Volkmer de Castilho".