Israel atuou com 'moderação' em Gaza, diz embaixadora dos EUA na ONU

Quarta-feira, 16 Mai, 2018

Soldados israelenses mataram ao menos 60 palestinos, segundo o Ministério da Saúde da Palestina , na fronteira com a Faixa de Gaza após distúrbios e manifestações contra a inauguração da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém, uma das promessas mais controversas do presidente Donald Trump.

O presidente turco, Tayyip Erdogan, descreveu os episódios de violência de segunda-feira, os mais mortíferos para os palestinos desde o conflito de 2014 em Gaza, como genocídio e classificou Israel como um Estado terrorista.

Nesta terça-feira, os mortos da véspera eram sepultados em Gaza.

Surgiram temores de mais derramamento de sangue nesta terça-feira, quando os palestinos planejam mais um protesto para marcar a "Nakba", ou "catástrofe". No total, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, 107 palestinos foram mortos e 11 mil ficaram feridos, dos quais 3.500 por tiros, em sete semanas de protestos.

Khalil al-Hayya, um dos líderes do Hamas, movimento islamita que governa a Faixa de Gaza, afirmou que as manifestações devem prosseguir. Os milhares de combatentes do grupo não utilizaram suas armas até o momento, mas Al-Hayya deu a entender que isto pode mudar. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense.

Os palestinianos querem fazer de Jerusalém oriental a capital de um desejado Estado palestiniano, coexistente em paz com Israel. Os dois territórios estão separados pelo território israelense. A ONU acusa o Estado israelita de "uso excessivo de força" e de "matança intencional".

O Conselho de Segurança reúne nesta terça-feira, a pedido do Kuwait, que tem assento naquele órgão das Nações Unidas em representação dos países árabes.

As autoridades palestinas denunciaram um "massacre". Turquia e África do Sul decidiram convocar para consultas seus embaixadores em Israel.

Forças israelitas, que tinham advertido a população com panfletos para que não se aproximassem da fronteira, lançaram gás lacrimogéneo contra os manifestantes para evitar que se aproximassem da cerca, de acordo com a agência EFE, citando testemunhas.

O porta-voz do Escritório de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), Jens Laerke, confirmou que Israel segue "controlando" a saída desde Gaza e que a situação sanitária é "uma tragédia" dada a falta de capacidade para atender "centenas de feridos" e que estão ficando sem materiais essenciais e ficarão sem combustível em menos de uma semana. As manifestações se inseriram na sequência de atos semanais iniciados em 30 de março e conhecidos como Grande Marcha do Retorno.

A IHH organizou em 2010 uma missão que buscava romper o bloqueio de Israel na Faixa de Gaza.