MPT notifica Globo sobre falta de representação racial

Segunda-feira, 14 Mai, 2018

Ambientada na Bahia, Segundo Sol, nova novela da Globo, foi duramente criticada antes mesmo de sua estreia, nesta segunda-feira (14/5). No site da TV Globo, que apresenta os principais personagens da novela, a maioria dos atores é branca.

De acordo com o portal Metrópoles, que noticiou originalmente a ação, o MPT afirmou que "o não espelhamento da sociedade nos programas televisivos gera a perpetuação da exclusão e reafirma estereótipos de limitação de espaços a serem ocupados pela população negra".

De acordo com a socióloga Ângela Guimarães, presidenta da Unegro-Brasil, a ação, que é assinada pelo advogado Egberto Magno, pede na justiça que seja concedida liminar para obrigar a Globo a incorporar negros e negras nos próximos capítulos a serem gravados e que haja atores e atrizes negros em papéis protagonistas, sendo que, "se para implementar essas obrigações for necessária a readequação do roteiro, que sejam adotadas as medidas pela emissora".

Caso a Rede Globo descumpra os pedidos, a empresa será convocada para prestar esclarecimentos e, eventualmente, firmar termo de compromisso de ajustamento de conduta, ou propor ação judicial cabível.

A recomendação estabelece ainda 1 conjunto de ações a ser tomado para que a igualdade racial seja respeitada não somente no elenco da novela, mas em todo o ambiente de trabalho da Rede Globo.

A Globo emitiu um comunicado em que admite que "temos uma representatividade menor do que gostaríamos e vamos trabalhar para evoluir com essa questão", mas, aparentemente, só o comunicado não foi suficiente e o Ministério Público do Trabalho (MPT) resolveu intervir. "O Estatuto da Igualdade Racial recomenda ao Poder Público a promoção de ações que assegurem a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para a população negra, inclusive mediante a implementação de medidas visando à promoção da igualdade nas contratações do setor público e o incentivo à adoção de medidas similares nas empresas e organizações privadas", diz parte da notificação enviada na sexta-feira (11).